quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A nova livraria e café de viagens de Lisboa dá a palavra ao viajante

São Bento de portas abertas aos viajantes e numa antiga loja de guarda-chuvas, para maior protecção: quando menos se esperava, abriu em Lisboa um livraria de viagens, que se torna caso único. A Palavra de Viajante quer ser o ponto de encontro de todos os amantes das viagens e dos livros. E até tem um café com sabores do mundo. Extra: uma lista de dez livros de viagens sugeridos pela livraria.

É um pequeno espaço, entre o acolhedor e íntimo, num cotovelo da alfacinha e legislativa Rua de São Bento. Mas, nos seus cerca de cem metros quadrados, esta novíssima livraria de viagens, inaugurada há semana e meia e com o papel ainda a cheirar a novo, abarca o mundo todo. Por sala e meia, perfilam-se estantes de guias, mapas, literatura de viagens, todo o tipo de roteiros, alguns acessórios para o bom viajante. No conjunto, soma Ana Coelho, uma das sócias — juntamente com a amiga Dulce Gomes, propõem-se “umas centenas de referências”. "Mas o stock vive em contínuo crescimento", assegura.
A Palavra de Viajante (cujo nome nasce de um pilar fundamental da casa: a viagem contada na primeira pessoa) quer ser um portal amigável para todas as odisseias possíveis, as reais e as da imaginação. Além dos clássicos e novos guias, resume Ana Coelho, adopta "um conceito mais abrangente, com literatura de viagem, relatos de jornalistas ou embaixadores que deixaram a sua narração do que viram e viveram". Aos livros, juntam-se as comidas e bebidas no Café do Viajante, uma salinha com direito a janela para minijardim e que propõe uma ementa simples onde se conjuga a literatura com pratos e criações nascidas sob influência dos mais diversos cantos do mundo, nomeadamente dos destinos que estejam em destaque na livraria.

O rumo da palavra
Para muitos, abrir hoje uma livraria, e logo destinada ao nicho de viagens, poderia não ser a primeira ideia de negócio a ocorrer. Até há alguns meses, o Centro Comercial da Portela tinha uma livraria similar, a FXS, que entretanto mudou os seus livros para um espaço perto de Sintra, na empresa Touratech, especializada em equipamentos e acessórios para motociclos. Mas as duas amigas, sem relação profissional com as viagens — Ana trabalhava em produção de espectáculos, Dulce é professora de estatística —, decidiram não desistir deste "sonho muito antigo", resultado “da conjugação de duas paixões, naturalmente pelos livros e pelas viagens" e, "sobretudo, por livros que despertam o interesse por viajar". "Tínhamos agora condições para apostar nesta… às vezes não sei se é loucura", confessa-nos Ana.
Uma "loucura" semelhante ao início de muitas viagens: se não fosse agora, "então quando seria a altura certa?". E foi assim que partiram para esta aventura, não sem pensar "mais que duas vezes… umas três ou quatro…". Na génese do projecto, um grande livro, o Danúbio de Claudio Magris, "o historial da Europa no final do século XIX e pelo século XX aproveitando a 'desculpa' do rio". Depois de percorrerem as páginas do livro, as duas sócias realizaram, de facto, a viagem que, aliás, foram relatando num blogue — e é assim que o Danúbio acaba por tomar forma de Palavra de Viajante e desaguar em São Bento. É "uma forma muito interessante de conhecer os povos e as culturas, viajando com o livro e depois podendo fazer a viagem física", resume Ana: "Para mim, é a melhor forma de viajar". Outra viagem marcaria o nascimento da livraria e deixaria marcas decisivas: a concretização de parte do lendário transiberiano.

In Público
Por Luís J. Santos



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